Por: Dr. Rodrigo Brum em 5 de janeiro de 2026 • 6 minutos de leitura • Hematologia

A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma complicação metabólica grave que pode ocorrer em pacientes com doenças hematológicas, especialmente após o início do tratamento quimioterápico. Embora seja um evento potencialmente fatal, o diagnóstico precoce e a adoção de medidas preventivas tornam possível evitar desfechos graves e preservar a função renal e cardíaca.
Nos últimos anos, o tema tem ganhado destaque entre os especialistas em oncohematologia, pois reflete um cuidado mais amplo e preventivo com o paciente. Compreender o que é a síndrome de lise tumoral, quem está em maior risco e como preveni-la é essencial para garantir um tratamento mais seguro e eficaz em leucemias e linfomas.
A síndrome de lise tumoral é uma emergência médica que ocorre quando há destruição rápida e massiva das células tumorais, liberando em grande quantidade seus componentes intracelulares na corrente sanguínea.
Quando isso acontece, substâncias como potássio, fósforo e ácido úrico são liberadas em níveis muito altos, ultrapassando a capacidade dos rins de eliminá-las. Essa sobrecarga metabólica pode levar a insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, convulsões e até morte súbita.
A SLT pode surgir de forma espontânea, especialmente em tumores muito agressivos, mas é mais comum após o início do tratamento, quando a resposta terapêutica é rápida e destrói uma grande quantidade de células em pouco tempo.
A síndrome de lise tumoral é mais comum em neoplasias hematológicas, como leucemias agudas e linfomas de alto grau, devido ao grande número de células tumorais e à sua alta taxa de replicação.
Essas células possuem metabolismo acelerado e são extremamente sensíveis à ação da quimioterapia. Quando morrem de forma abrupta, liberam grandes quantidades de substâncias que alteram o equilíbrio metabólico do organismo.
A capacidade de eliminação renal dessas substâncias nem sempre é suficiente para compensar a liberação massiva, e o resultado é uma cascata de distúrbios metabólicos que caracterizam a SLT.
As leucemias a agudas e os linfomas agressivos, como o linfoma de Burkitt e o linfoma difuso de grandes células B, estão entre as doenças com maior risco de lise tumoral.
Nesses casos, o volume tumoral é elevado e a sensibilidade à quimioterapia é alta. Isso significa que, mesmo após poucas doses de tratamento, pode haver destruição celular suficiente para desencadear a síndrome.
Além dessas doenças, a SLT também pode ocorrer em qualquer paciente com com massa tumorail extensae com alta sensibilidade à terapia.
O momento de maior risco para o desenvolvimento da síndrome de lise tumoral é logo após o início do tratamento oncológico.
A quimioterapia, as terapias-alvo e até mesmo a corticoterapia podem levar à destruição celular acelerada. Essa resposta terapêutica, embora desejada, exige monitoramento rigoroso para evitar complicações metabólicas graves.
Os primeiros dias de tratamento são decisivos. Por isso, pacientes com leucemias e linfomas de alto risco são internados para monitoramento clínico e laboratorial contínuo, permitindo a identificação precoce de alterações no metabolismo e o início imediato das medidas necessárias.
Nem todos os pacientes oncológicos têm o mesmo risco de desenvolver a síndrome de lise tumoral. A avaliação cuidadosa antes do início do tratamento é fundamental para definir estratégias preventivas adequadas.
Entre os principais fatores de risco, destacam-se:
Pacientes com leucemia linfoblástica aguda, leucemia mieloide aguda e linfoma de Burkitt são classificados automaticamente como de alto risco e devem receber profilaxia intensiva desde o início do tratamento.
A prevenção é a melhor estratégia contra a síndrome de lise tumoral. Identificar precocemente os pacientes com risco elevado e iniciar medidas preventivas antes da quimioterapia reduz significativamente a mortalidade associada à complicação.
As principais medidas preventivas incluem:
Quando a síndrome já está instalada, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. A abordagem inclui hidratação intensiva, uso de rasburicase intravenosa e, em casos mais graves, suporte dialítico temporário.
O acompanhamento em ambiente hospitalar é indispensável, com suporte multidisciplinar envolvendo o hematologista, nefrologista e equipe de terapia intensiva, conforme a gravidade do caso.
A síndrome de lise tumoral é uma emergência oncológica potencialmente fatal, mas amplamente prevenível quando reconhecida precocemente. Sua ocorrência é mais comum em leucemias agudas e linfomas agressivos, especialmente após o início do tratamento, quando a destruição celular é rápida e intensa.
A atuação proativa do hematologista na estratificação de risco, no monitoramento laboratorial e na aplicação das medidas profiláticas adequadas é essencial para evitar complicações graves e garantir segurança ao paciente.Em Goiânia, o Dr. Rodrigo Brum realiza o acompanhamento especializado de pacientes com neoplasias hematológicas de alto risco, com atenção integral às complicações associadas ao tratamento, como a síndrome de lise tumoral.
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