Por: Dr. Rodrigo Brum em 23 de dezembro de 2025 • 6 minutos de leitura • Hematologia

A mielodisplasia, também chamada de síndrome mielodisplásica (SMD), é um grupo de doenças que afeta a produção normal das células do sangue na medula óssea. Trata-se de uma condição complexa e progressiva, na qual as células-tronco hematopoéticas, responsáveis por originar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, sofrem alterações genéticas que prejudicam seu amadurecimento e funcionamento.
Embora muitas vezes silenciosa no início, a mielodisplasia exige atenção especializada. O diagnóstico precoce é essencial para definir o risco de evolução e determinar o tratamento mais adequado, que pode variar de medidas de suporte até o transplante de medula óssea alogênico, dependendo do perfil do paciente.
Neste artigo, você entenderá o que é a mielodisplasia, quais sinais exigem investigação, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento conforme o risco da doença.
A síndrome mielodisplásica (SMD) é um distúrbio das células-tronco da medula óssea, caracterizado por uma produção ineficiente e defeituosa das células sanguíneas. Essa falha no processo de maturação faz com que o sangue contenha células com formatos anormais, funcionamento inadequado e em menor quantidade do que o necessário.
Com o passar do tempo, a medula óssea torna-se incapaz de produzir células funcionais suficientes, resultando em anemia, leucopenia (baixa de glóbulos brancos) e plaquetopenia (redução das plaquetas). Em alguns casos, a SMD pode evoluir para uma forma mais agressiva, conhecida como leucemia mieloide aguda (LMA).
A doença é mais comum em pessoas acima dos 60 anos, mas também pode ocorrer em adultos jovens, especialmente após exposição prolongada a agentes químicos, quimioterapia prévia ou radioterapia. Apesar de crônica, a mielodisplasia não é uma doença uniforme: ela pode variar de formas leves, que exigem apenas acompanhamento, a quadros de alto risco com necessidade de tratamento imediato.
Os sintomas da mielodisplasia estão diretamente relacionados à redução das células sanguíneas normais. No início, podem ser sutis e facilmente confundidos com outras condições, o que reforça a importância de uma investigação cuidadosa.
Os principais sinais de alerta incluem:
Essas manifestações são inespecíficas, mas quando persistem ou se associam a alterações no hemograma, devem motivar uma avaliação com um hematologista.
A investigação da mielodisplasia deve ser considerada em qualquer paciente com anemia persistente sem causa aparente, principalmente quando acompanhada de outras citopenias, como leucopenia e plaquetopenia.
Hemogramas que mostram anormalidades morfológicas (células com formatos irregulares) ou discrepâncias entre contagem e sintomas clínicos também merecem atenção. Em idosos, é comum que a doença seja inicialmente confundida com anemia por deficiência de ferro ou vitamina B12, o que pode atrasar o diagnóstico.
Pacientes que já passaram por tratamentos oncológicos prévios, com uso de quimioterapia ou radioterapia, também apresentam risco aumentado de desenvolver SMD secundária. Nesses casos, o acompanhamento hematológico periódico é indispensável.
O diagnóstico da síndrome mielodisplásica é realizado a partir da combinação de exames laboratoriais, genéticos e moleculares, que avaliam a morfologia das células, a função da medula óssea e a presença de mutações específicas.
O hemograma completo costuma revelar citopenias e alterações nas formas das células sanguíneas. Em seguida, são realizados exames mais específicos, fundamentais para confirmar a doença e determinar seu estágio.
A biópsia e aspiração de medula óssea são exames indispensáveis para o diagnóstico. Elas permitem observar diretamente a “fábrica do sangue” (medula) e identificar se há displasia celular, ou seja, anormalidades na maturação das células.
Durante o exame, o material coletado é analisado por microscopia e submetido a testes de citogenética e imunofenotipagem, que ajudam a identificar alterações cromossômicas. Atualmente o painel molecular, o qual pode ser realizado no sangue periférico, é cada vez mais necessário para definir o subtipo da SMD. Esses achados são cruciais para determinar o prognóstico e orientar o tratamento.
O tratamento da mielodisplasia é individualizado e depende da classificação de risco, da idade e das condições clínicas do paciente. O objetivo é controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e, quando possível, impedir/retardar a evolução para leucemia mieloide aguda.
Pacientes de baixo risco podem ser acompanhados com medidas de suporte, como transfusões de sangue e uso de agentes estimuladores da eritropoiese (ex: eritropoetina), que aumentam a produção de glóbulos vermelhos e reduzem a necessidade de transfusões.
Nos casos de risco intermediário ou alto, são indicados medicamentos que modificam o curso da doença (ex: hipometilantes) e reduzem o risco de progressão. Para os pacientes jovens aptos a uma terapia mais agressiva, o transplante de medula óssea alogênico pode ser a melhor opção, a única com possibilidade curativa.
A mielodisplasia é uma condição que exige diagnóstico preciso e acompanhamento especializado. Identificar precocemente as alterações no sangue e buscar avaliação com um hematologista são passos fundamentais para definir o risco e estabelecer o tratamento ideal.
Com os avanços no diagnóstico genético e molecular e no tratamento personalizado, é possível controlar a doença por longos períodos e, em muitos casos, alcançar remissões prolongadas. O acompanhamento regular e a adesão ao tratamento fazem toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes.Em Goiânia, o Dr. Rodrigo Brum atua com foco em oncohematologia e síndromes mielodisplásicas, oferecendo uma abordagem individualizada e baseada nas mais recentes evidências científicas.
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